PODCAST EP 3 - A Dinastia Joseon

Rei Sejong



No texto passado vimos o declínio de Silla e o nascimento de Goryeo. No final do texto, foi colocado que o governo mongol na Coreia era severo e repressivo, mas que mesmo a dominação mongol tendo trazido miséria e humilhação para o povo coreano, eruditos que visitaram Pequim como Diplomatas, reféns e cativos, foram expostos a novas ideias chinesas e tecnologias europeias como o neoconfucionismo – ideologia que mais tarde se tornaria ortodoxa do estado.
Devido ao tom mais severo e repressivo desse governo, a maioria dos coreanos aceitaram com bons olhos as mudanças dinásticas na Coreia e na China, no final do século XIV. O General Yi Song-gye se tornou um herói devido a sua liderança em batalhas decisivas contra bandidos rebeldes chineses, mongóis e piratas japoneses, que ameaçaram a autonomia coreana.
Em 1392, o General Yi conseguiu derrubar a Dinastia Goryeo e fundou uma nova dinastia. Essa dinastia era a favor da dinastia Ming na China e ficou conhecida como a Dinastia Joseon. A tomada de poder foi planejada de forma cuidadosa e o general recebeu a ajuda dos chamados sadaebu, ou “estudiosos oficiais” que estavam dentro da ideologia do neoconfucionismo. Essa nova dinastia durou até 1910 e foi a última casa governante na história coreana.
A infraestrutura dessa dinastia foi determinada pelos sadaebu confucionistas que ajudaram o General Yi a fundar a Dinastia Joseon. Nessa época observamos a adoção de uma política isolacionista da Coreia com relação ao mundo exterior, com exceção da China e menor grau, o Japão. Esse menor grau de relação ao Japão ocorreu devido a ideia coreana (da época) dos japoneses serem inferiores culturalmente. Isso, ligado a visão confucionista de “servir ao superior”, fez com que a relação entre o Japão e a Coreia durante essa dinastia fosse limitada.
Como o confucionismo foi adotado como ortodoxia do Estado, os outros sistemas de crenças foram levados para posições secundárias. Isso fez com que o Budismo perdesse o seu domínio sobre a vida religiosa coreana, assim como outras crenças também perderam espaço.
Economicamente, os burocratas dessa época investiram na agricultura como o único meio de sustento econômico e deram pouca atenção ao desenvolvimento da indústria coreana, assim como para o desenvolvimento do comércio internamente e fora do país. Essa posição também está ligada ao confucionismo, que despreza o comércio. Mas a Coreia sofreu as consequências dessa posição, e durante a Dinastia Joseon, permaneceu como um estado agrário empobrecido.
Com relação a população coreana desse período, ela era de aproximadamente 7 milhões de pessoas, sendo composta – principalmente – por plebeus (yangin ou sangmin), e pessoas com baixo status social que eram governadas por uma casta aristocrata civil chamada de “yangban”, que pode ser traduzido como “funcionários das ‘duas ordens’”. Existia também um pequeno grupo de funcionários que estavam concentrados em Seul, e eram chamados de “pessoas do meio” (chungiri). Eram essas pessoas que forneciam aos yangban serviços em áreas como da saúde, línguas estrangeiras, escrita caligráfica, arte da adivinhação e computação (um pouco diferente das que conhecemos hoje em dia – as maquinas da época tinham como foco as operações matemáticas).

A educação durante essa dinastia era baseada no sistema educacional confuciano. Com a adesão do neoconfucionismo como ortodoxia do Estado, e a educação sendo orientada por essa ideologia, Joseon se transformou em um modelo de Estado Confucionista. Nesse período, a Escola Zhu Xi do Pensamento Confucionista produziu muitos filósofos.,

Apesar da preponderância desse pensamento, não devemos assumir que não existiu diversidade intelectual na Coreia durante esse período. O desejo de investir e preservar, uma cultura decididamente coreana levou, em 1443, a invenção do Hangul. O Hangul é um sistema de escrita fonética que foi criado como a “representação escrita do discurso nativo coreano”. Esse sistema de escrita foi criado sob o regime do Rei Sejong, o Grande (1418 – 1450). Durante essa dinástia também existiu a defesa da pesquisa e escrita sobre questões indígenas da Coreia e o nascimento do Tonghak, um culto religioso nacionalista que atraiu – principalmente – o campesinato. O catolicismo entrou em Joseon no final do século XVIII, e os ensinamentos desta igreja estabeleceram em precedente para a introdução do protestantismo um século depois.

O reinado de Sejong foi a época em que Joseon passou pela florescência de sua política, cultura e influência. Além disso, a Coreia expandiu o seu território para o rio Yalu e Tuman, que hoje formam a fronteira entre China e Coreia do Norte. Além disso, o rei Sejong promoveu a invenção de muitos instrumentos científicos como o pluviômetro, e a impressão em larga escala de livros.
Infelizmente, a dinastia Joseon sofreu com as invasões japonesas entre 1592 e 1598 (a chamada Guerra dos Sete Anos), quando recebeu a ajuda militar da China. Nessa guerra o Almirante Yi Sunsin se tornou um herói naval coreano, pois o mesmo ajudou a encerrar a guerra ao debilitar a marinha japonesa, com os chamados “navios de tartarugas” também conhecidos como Kobukson.

Esgotada pela guerra, a Dinastia Joseon não tinha condições de enfrentar mais um desafio militar. Porém, a guerra com o Japão foi seguida pelas invasões Manchu em 1627 e 1636. Nessa última, a Dinastia Joseon caiu sob a dominação Manchu. Após a Dinastia Qing dos Manchus ter sido estabelecida na China, Joseon permaneceu um tributário fiel até 1895, quando o Japão derrotou Qing na Primeira Guerra Sino-Japonesa.
 
No proximo  episódio falaremos sobre o Grande Almirante Yi Sun Shin.