As negociações de saída entre o Reino Unido e a UE passam por 'sérias divergências'


Depois da primeira ronda de negociações, o chefe da equipe da União Europeia, Michel Barnier, falou sobre as "sérias divergências" entre o bloco comunitário e o Reino Unido, em relação ao futuro das relações depois do Brexit.
"As negociações são muito difíceis, mas ainda acredito que podemos chegar a um acordo" - disse Barnier aos jornalistas em Bruxelas.
O Reino Unido deixou a União Europeia a 31 de janeiro deste ano, depois de ter sido membro do bloco europeu durante 47 anos. Espera-se que até o final deste ano as duas partes cheguem a um acordo em termos de cooperação económica.
A primeira rodada de negociações teve lugar em Bruxelas esta semana.
“O Reino Unido passou muito tempo insistindo na sua independência. Ninguém nega, mas também pedimos que respeitem nossa própria independência ”, afirmou Barnier, implicando que a UE opta por manter as suas próprias condições.
A posição de negociação da UE envolve três áreas: parceria económica, cooperação em política económica e externa e um quadro institucional que conduzirá as relações futuras.
A parte mais crucial é o capítulo económico, em que a União Europeia e o Reino Unido têm opiniões muito diferentes.
A UE está aberta a um acordo de livre comércio sem impostos ou tarifas mas, em troca, o bloco insiste em garantir condições iguais para uma concorrência aberta e justa.
A UE pediu ao Reino Unido para manter padrões em questões sociais, ambientais e de regulamentação de auxílios estatais, mas ainda existem grandes diferenças entre os dois lados - explicou Barnier.
Os negociadores do Reino Unido também se opõem à condição da UE de associar o acordo comercial a um acordo de pesca, que garante acesso recíproco a mercados e águas e limita a pesca com base em cotas.
Os parceiros têm perspectivas diferentes em relação à natureza do acordo. Enquanto a UE quer obter um acordo global, o Reino Unido prefere um acordo setorial.
São evidentes as divergências em relação a certos aspectos legais da cooperação futura na luta contra o terrorismo, lavagem de dinheiro e crime organizado.
A próxima ronda de negociações terá lugar em Londres, no dia 18 de março.