Após Brexit, Reino Unido convida Brasil a discutir relação comercial


O Reino Unido não esperou nem três dias fora da União Europeia (UE) para já convidar o Brasil e outros grandes parceiros a discutir em Genebra o futuro das relações comerciais bilaterais nas próximas semanas.

Enquanto os britânicos já se mobilizam, a União Europeia continua tentando ignorar demandas do Brasil e de outros exportadores agrícolas por compensações. É que, com a saída do Reino Unido do mercado comum, Bruxelas reduziu as cotas (com tarifa menor).

O Brasil tem interesse forte na questão, com várias cotas na UE, principalmente para açúcar, carnes bovina e de frango, envolvendo negócios de dezenas de milhões de dólares.

O Reino Unido saiu formalmente na sexta-feira da UE e agora precisa redefinir as modalidades de sua relação com o bloco europeu e com os outros parceiros.

Até o fim deste ano o Reino Unido continua seguindo todas as regras e procedimentos da UE como no passado, de forma que não haverá até dezembro nenhum impacto em função do Brexit.

Mas a partir de janeiro de 2021, terminado o período de transição, Londres deixa de se beneficiar das condições especiais de acesso obtido pela UE em acordos comerciais com bom número de países. Se quiser manter acesso preferencial, os britânicos vão negociar com os países com os quais a UE tem acordos.

O plano do primeiro-ministro Boris Johnson é de ter 80% do seu comércio coberto por acordos de livre comércio em três anos. Johnson se coloca como campeão do liberalismo face aos “protecionistas que ganham terreno de Bruxelas à China, passando por Washington”.

A discussão principal é com a própria UE e o confronto continua. Johnson insiste que não vê necessidade de um acordo comercial que suponha a aceitação de regras da UE sobre concorrência, subsídios, proteção social, meio-ambiente. Já Bruxelas diz que ou respeita suas regras ou não há acordo ambicioso como Londres quer.