Suécia deve ser um dos primeiros países a abandonar taxas negativas


A Suécia deve ser um dos primeiros países do mundo a encerrar o período com taxas de juros negativas. No próximo mês, espera-se que o Riksbank, o banco central sueco, comece a reverter a postura acomodatícia, depois de quase cinco anos de juro negativo.

Mas os investidores veem outros fatores que impedirão a moeda do país, que amarga uma das piores performances do mundo este ano, de se recuperar.

O BC da Suécia — lar da montadora Volvo, da fabricante de equipamentos de telecomunicações Ericsson e da empresa de moda H&M — sinalizou, em outubro, que planeja aumentar sua taxa de referência para zero, de -0,25%, citando preocupações de que manter os juros negativos por mais tempo poderia levar a distorções no sistema financeiro.

A medida deixaria o país cada vez mais em desacordo com outros bancos centrais. O Banco Central Europeu (BCE) reduziu ainda mais as taxas no território abaixo de zero nos últimos meses. Suíça, Japão e Dinamarca também mantêm juros negativos. E embora ainda esteja solidamente em território positivo, o Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos) cortou suas taxas três vezes este ano.

A coroa sueca caiu mais em relação ao dólar do que as moedas de outras grandes economias nos últimos dois anos, recuando cerca de 15%. Mesmo assim, a divisa não recebeu um impulso quando o Riksbank sinalizou o fim iminente das taxas negativas. Um dos principais motivos é que juros negativos podem não ser tão importantes quanto as pessoas pensam. O mais importante é que o Riksbank continuará comprando bônus, uma forma de flexibilização monetária quantitativa.

“A compra de bônus é a arma mais potente”, diz Andreas Steno Larsen, estrategista sênior da Nordea. O Riksbank disse, em abril, que continuará comprando títulos do governo até dezembro de 2020.

Outro fator para a fraqueza da coroa é a dependência da Suécia do comércio global. Seu setor manufatureiro — como o dos EUA e da Alemanha — foi duramente atingido pelas tensões comerciais globais.

“Para que a moeda tenha uma reviravolta, você precisa ver uma reviravolta no crescimento global e nas perspectivas comerciais”, comenta Petr Krpata, analista-chefe de câmbio da Europa, Oriente Médio e África do ING Bank.

A Suécia também depende fortemente das exportações, portanto uma moeda mais fraca deveria ter beneficiado a economia. Um fator na decisão da Suécia de instituir uma taxa negativa em março de 2015 foi impedir o fortalecimento da moeda.

Há um consenso na Suécia, no entanto, que taxas negativas não deram à economia o impulso esperado. E os banqueiros centrais sentiram que taxas persistentemente baixas poderiam criar incentivos perversos, como excesso de empréstimos por parte das famílias e inflação de preços de ativos. Os formuladores de políticas começaram a aumentar as taxas em dezembro de 2018, elevando o juro de referência para -0,25%, contra -0,5%.

Enquanto isso, o mercado de ações sueco subiu de forma firme em 2019. O índice OMX Stockholm 30 acumula alta de 23,88% este ano. Mas, com preços em euros ou dólares, o índice fica para trás do S&P 500 e do Stoxx Europe 600.

O Riksbank é liderado por Stefan Ingves desde 2006. Este mês, Cecilia Kingsley foi promovida a primeira vice-presidente. Já Anna Breman assumiu como vice-presidente após a saída de Kerstin af Jochnick.


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