Reino Unido e União Europeia podem estar mais próximos de solução para a Irlanda na negociação do Brexit

O governo britânico e a União Europeia estão próximos de resolver divergências sobre a fronteira entre a Irlanda do Norte – que faz parte do Reino Unido – e a República da Irlanda – país independente e integrante do bloco europeu. A informação foi divulgada pelo jornal "The Guardian" e pela agência Associated Press nesta terça-feira (15).

Segundo fontes, a fronteira aduaneira ficaria sobre o Mar da Irlanda, e não haveria uma divisão física entre os dois países. Assim, a Irlanda do Norte ficaria formalmente sob regime fiscal da República da Irlanda. Na prática, porém, o país teria uma fronteira livre com a União Europeia.

A fronteira entre as duas Irlandas representa um impasse nas negociações sobre o Brexit pelos seguintes motivos:

Com o Reino Unido dentro da União Europeia, tanto a Irlanda do Norte quanto a República da Irlanda faziam parte do mesmo regime aduaneiro, no controle de bens e serviços.
Após o Brexit, os dois países devem ficar em regimes diferentes. Porém, uma fronteira com controles físicos reacenderia disputas entre ambas as Irlandas e poderia minar o acordo de paz de 1998, que pôs fim a violentos conflitos.
Apesar dos avanços nas discussões sobre a fronteira, os líderes europeus preferem manter cautela. O primeiro-ministro da República da Irlanda, Leo Varadkar, afirmou que há progressos, mas que as partes ainda têm passos a seguir. "As indicações iniciais são de que estamos progredindo, que as negociações estão caminhando na direção certa", disse.

"Mas se seremos capazes de concluir um acordo de saída revisado, que afinal é um tratado internacional, a tempo da cúpula de quinta-feira, isso ainda não está claro."


Lideranças do Partido Democrático Unionista (DUP, na sigla em inglês) – agremiação pró-Reino Unido na Irlanda – insistiram que a Irlanda do Norte deve se manter no regime aduaneiro de Londres. "Temos que ver flexibilidade por parte da União Europeia da mesma forma que mostramos nossa flexibilidade com as regulações sobre o mercado comum", afirmou Arlene Foster, líder da sigla.

"As pessoas precisam cair na real e entender que nós somos parte do Reino Unido, que vamos continuar parte do Reino Unido, e deve-se respeitar isso", concluiu.